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		<title><![CDATA[Grua Livros: últimas notícias]]></title>
		<link>https://www.grualivros.com.br</link>
		<description><![CDATA[últimas notícias de Grua Livros.]]></description>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 19:47:43 +0000</pubDate>
		<isc:store_title><![CDATA[Grua Livros]]></isc:store_title>
		<item>
			<title><![CDATA[Principal conto de Guy de Maupassant, 'O Horlá' ganha nova edição]]></title>
			<link>https://www.grualivros.com.br/o-horla-no-caderno-alias-do-estadao/</link>
			<pubDate>Wed, 11 Mar 2020 12:53:48 +0000</pubDate>
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			<description><![CDATA[<h1 class="n--noticia__title"><span><span><img class="__mce_add_custom__" style="float: left; margin-left: 30px; margin-right: 30px; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" title="o-horl-estad-o-11.06.2017-240x360.jpg" src="https://grualivros2.ecshop.com.br/product_images/uploaded_images/o-horl-estad-o-11.06.2017-240x360.jpg" alt="o-horl-estad-o-11.06.2017-240x360.jpg" width="240" height="360" /></span></span></h1>
<p><span style="font-size: 10px;">Por Jos&eacute; Castello</span></p>
<div>&nbsp;</div>
<div><a href="http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,principal-conto-de-guy-de-maupassant-o-horla-ganha-nova-edicao,70001833282"><span><span>Caderno Ali&aacute;s 10 Junho 2017</span></span></a></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>Hist&oacute;ria narra eventos sobrenaturais desencadeados por uma entidade invis&iacute;vel</span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>A nova edi&ccedil;&atilde;o brasileira re&uacute;ne tr&ecirc;s vers&otilde;es da mesma hist&oacute;ria. Abre com a vers&atilde;o definitiva, de 1887, mas nos traz tamb&eacute;m a primeira vers&atilde;o, Carta de um Louco, publicada por Maupassant em 1885 na revista Blas, seguida da segunda vers&atilde;o, j&aacute; batizada como O Horl&aacute;, de 1886. A reuni&atilde;o das tr&ecirc;s vers&otilde;es tem, n&atilde;o apenas, import&acirc;ncia para os estudiosos da literatura; ela apresenta ao leitor comum o modo como outros textos (&ldquo;estranhos&rdquo;) se escondem no interior de qualquer fic&ccedil;&atilde;o.</span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>&ldquo;Parece que o ar, o pr&oacute;prio ar que n&atilde;o vemos, est&aacute; repleto de for&ccedil;as incompreens&iacute;veis&rdquo;, diz o narrador da vers&atilde;o definitiva, escrita em forma de di&aacute;rio &iacute;ntimo. Nossos sentidos s&atilde;o fr&aacute;geis. Nossa percep&ccedil;&atilde;o do mundo est&aacute;, em consequ&ecirc;ncia, limitada por essas fragilidades. O que conhecemos &eacute; sempre parcial: uma parte se furta e se esquiva, o que n&atilde;o significa dizer que ela deixe de atuar e de influenciar nossas vidas. O di&aacute;rio relata como um homem, aos poucos, s&oacute; a partir de pequenos sinais quase desprez&iacute;veis, come&ccedil;a a se dar conta de que convive com um ser estranho.&nbsp;</span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>Durante a noite, uma garrafa de &aacute;gua colocada &agrave; sua cabeceira se esvazia sozinha. O vaso de leite se evapora misteriosamente tamb&eacute;m. Copos se quebram dentro dos arm&aacute;rios da sala. O talo de uma rosa, bem &agrave; sua frente, se dobra, como que empurrado por uma m&atilde;o invis&iacute;vel. At&ocirc;nito, o personagem de Maupassant se agarra, primeiro, &agrave; a&ccedil;&atilde;o do sobrenatural. Mas ele logo conclui que n&atilde;o h&aacute; mist&eacute;rio algum &ndash; n&atilde;o h&aacute; paranoia, como hoje tendem a argumentar os comentaristas do presente. &ldquo;N&atilde;o entendo, porque a causa me escapa&rdquo;, mas, mesmo desconhecida, ela existe, n&atilde;o deixa de agir e de produzir consequ&ecirc;ncias.</span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>Aos poucos, o narrador de Maupassant descarta a hip&oacute;tese mais f&aacute;cil da loucura. O Estranho &eacute;, tamb&eacute;m, o Invis&iacute;vel que, embora n&atilde;o se deixe ver, continua a agir e, portanto, existe sim. Recorda, ent&atilde;o, do que lhe disse um monge a quem visitou no monte Saint-Michel: &ldquo;E algu&eacute;m chega a perceber a cent&eacute;sima mil&eacute;sima parte de tudo o que existe?&rdquo; O religioso lembrou, ent&atilde;o, o exemplo do vento, que tomba edif&iacute;cios, arranca &aacute;rvores, destr&oacute;i fal&eacute;sias e atira grandes navios contra os recifes. &ldquo;O senhor j&aacute; o viu, ou consegue v&ecirc;-lo? Ainda assim ele existe&rdquo;. O Estranho que o Horl&aacute; encarna n&atilde;o &eacute; o inexistente que nos assombra, mas o desconhecido que delimita a dimens&atilde;o de nossa ignor&acirc;ncia. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de nele &ldquo;acreditar&rdquo; &ndash; ele n&atilde;o precisa de nossas convic&ccedil;&otilde;es para existir. As convic&ccedil;&otilde;es, elas tamb&eacute;m, apenas o encobrem. O Horl&aacute; criado por Maupassant teria chegado &agrave; Normandia, onde a hist&oacute;ria se ambienta, a bordo de um veleiro brasileiro que subia o rio Sena. O narrador avistou o barco dos jardins de sua propriedade, nas cercanias de Rouen.&nbsp;</span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>N&atilde;o se trata de um louco. Ao contr&aacute;rio, &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o do Estranho e de sua presen&ccedil;a esquiva que o perturba. Na vers&atilde;o de 1886, escrita na forma de um relato m&eacute;dico, depois de relatar o caso de seu paciente, o doutor Marrande, ilustre alienista, conclui: &ldquo;N&atilde;o sei se este homem est&aacute; louco, ou se n&oacute;s dois enlouquecemos... ou se... se nosso sucessor de fato chegou.&rdquo; A presen&ccedil;a do Horl&aacute; vem romper a cegueira humana. Vem desmascar&aacute;-la.&nbsp;</span></span></div>
<div>&nbsp;</div>
<div><span><span>Aqui se afirma a atualidade do relato de Maupassant. O Estranho n&atilde;o &eacute; aquilo que brilha e nos assusta nos notici&aacute;rios da TV, ou que incendeia nossas parcas certezas. A leitura de O Horl&aacute; nos ensina que ele se esconde nas pequenas coisas, parece improv&aacute;vel e at&eacute; desprez&iacute;vel, mas &eacute; justamente assim, camuflado e esquivo, que age sobre n&oacute;s.</span></span></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 class="n--noticia__title"><span><span><img class="__mce_add_custom__" style="float: left; margin-left: 30px; margin-right: 30px; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" title="o-horl-estad-o-11.06.2017-240x360.jpg" src="https://grualivros2.ecshop.com.br/product_images/uploaded_images/o-horl-estad-o-11.06.2017-240x360.jpg" alt="o-horl-estad-o-11.06.2017-240x360.jpg" width="240" height="360" /></span></span></h1>
<p><span style="font-size: 10px;">Por Jos&eacute; Castello</span></p>
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<div><a href="http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,principal-conto-de-guy-de-maupassant-o-horla-ganha-nova-edicao,70001833282"><span><span>Caderno Ali&aacute;s 10 Junho 2017</span></span></a></div>
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<div><span><span>Hist&oacute;ria narra eventos sobrenaturais desencadeados por uma entidade invis&iacute;vel</span></span></div>
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<div><span><span>A nova edi&ccedil;&atilde;o brasileira re&uacute;ne tr&ecirc;s vers&otilde;es da mesma hist&oacute;ria. Abre com a vers&atilde;o definitiva, de 1887, mas nos traz tamb&eacute;m a primeira vers&atilde;o, Carta de um Louco, publicada por Maupassant em 1885 na revista Blas, seguida da segunda vers&atilde;o, j&aacute; batizada como O Horl&aacute;, de 1886. A reuni&atilde;o das tr&ecirc;s vers&otilde;es tem, n&atilde;o apenas, import&acirc;ncia para os estudiosos da literatura; ela apresenta ao leitor comum o modo como outros textos (&ldquo;estranhos&rdquo;) se escondem no interior de qualquer fic&ccedil;&atilde;o.</span></span></div>
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<div><span><span>&ldquo;Parece que o ar, o pr&oacute;prio ar que n&atilde;o vemos, est&aacute; repleto de for&ccedil;as incompreens&iacute;veis&rdquo;, diz o narrador da vers&atilde;o definitiva, escrita em forma de di&aacute;rio &iacute;ntimo. Nossos sentidos s&atilde;o fr&aacute;geis. Nossa percep&ccedil;&atilde;o do mundo est&aacute;, em consequ&ecirc;ncia, limitada por essas fragilidades. O que conhecemos &eacute; sempre parcial: uma parte se furta e se esquiva, o que n&atilde;o significa dizer que ela deixe de atuar e de influenciar nossas vidas. O di&aacute;rio relata como um homem, aos poucos, s&oacute; a partir de pequenos sinais quase desprez&iacute;veis, come&ccedil;a a se dar conta de que convive com um ser estranho.&nbsp;</span></span></div>
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<div><span><span>Durante a noite, uma garrafa de &aacute;gua colocada &agrave; sua cabeceira se esvazia sozinha. O vaso de leite se evapora misteriosamente tamb&eacute;m. Copos se quebram dentro dos arm&aacute;rios da sala. O talo de uma rosa, bem &agrave; sua frente, se dobra, como que empurrado por uma m&atilde;o invis&iacute;vel. At&ocirc;nito, o personagem de Maupassant se agarra, primeiro, &agrave; a&ccedil;&atilde;o do sobrenatural. Mas ele logo conclui que n&atilde;o h&aacute; mist&eacute;rio algum &ndash; n&atilde;o h&aacute; paranoia, como hoje tendem a argumentar os comentaristas do presente. &ldquo;N&atilde;o entendo, porque a causa me escapa&rdquo;, mas, mesmo desconhecida, ela existe, n&atilde;o deixa de agir e de produzir consequ&ecirc;ncias.</span></span></div>
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<div><span><span>Aos poucos, o narrador de Maupassant descarta a hip&oacute;tese mais f&aacute;cil da loucura. O Estranho &eacute;, tamb&eacute;m, o Invis&iacute;vel que, embora n&atilde;o se deixe ver, continua a agir e, portanto, existe sim. Recorda, ent&atilde;o, do que lhe disse um monge a quem visitou no monte Saint-Michel: &ldquo;E algu&eacute;m chega a perceber a cent&eacute;sima mil&eacute;sima parte de tudo o que existe?&rdquo; O religioso lembrou, ent&atilde;o, o exemplo do vento, que tomba edif&iacute;cios, arranca &aacute;rvores, destr&oacute;i fal&eacute;sias e atira grandes navios contra os recifes. &ldquo;O senhor j&aacute; o viu, ou consegue v&ecirc;-lo? Ainda assim ele existe&rdquo;. O Estranho que o Horl&aacute; encarna n&atilde;o &eacute; o inexistente que nos assombra, mas o desconhecido que delimita a dimens&atilde;o de nossa ignor&acirc;ncia. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de nele &ldquo;acreditar&rdquo; &ndash; ele n&atilde;o precisa de nossas convic&ccedil;&otilde;es para existir. As convic&ccedil;&otilde;es, elas tamb&eacute;m, apenas o encobrem. O Horl&aacute; criado por Maupassant teria chegado &agrave; Normandia, onde a hist&oacute;ria se ambienta, a bordo de um veleiro brasileiro que subia o rio Sena. O narrador avistou o barco dos jardins de sua propriedade, nas cercanias de Rouen.&nbsp;</span></span></div>
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<div><span><span>N&atilde;o se trata de um louco. Ao contr&aacute;rio, &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o do Estranho e de sua presen&ccedil;a esquiva que o perturba. Na vers&atilde;o de 1886, escrita na forma de um relato m&eacute;dico, depois de relatar o caso de seu paciente, o doutor Marrande, ilustre alienista, conclui: &ldquo;N&atilde;o sei se este homem est&aacute; louco, ou se n&oacute;s dois enlouquecemos... ou se... se nosso sucessor de fato chegou.&rdquo; A presen&ccedil;a do Horl&aacute; vem romper a cegueira humana. Vem desmascar&aacute;-la.&nbsp;</span></span></div>
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<div><span><span>Aqui se afirma a atualidade do relato de Maupassant. O Estranho n&atilde;o &eacute; aquilo que brilha e nos assusta nos notici&aacute;rios da TV, ou que incendeia nossas parcas certezas. A leitura de O Horl&aacute; nos ensina que ele se esconde nas pequenas coisas, parece improv&aacute;vel e at&eacute; desprez&iacute;vel, mas &eacute; justamente assim, camuflado e esquivo, que age sobre n&oacute;s.</span></span></div>]]></content:encoded>
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