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Entrevista de Carlos Eduardo de Magalhães,à CBN
Entrevista de Carlos Eduardo de Magalhães,à CBN

CBN TEMPO DE LETRAS - POR SIMONE MAGNO

O escritor paulistano Carlos Eduardo de Magalhães está relançando Mera fotografia (Grua), romance originalmente publicado em 1998, que estava fora de catálogo. O livro, um mergulho familiar, começa quando Alfredo, perto de fazer 40 anos, em crise no casamento, parte em busca do irmão mais velho, André, desaparecido há mais de uma década. Na época, Miguel Sanches Neto disse que o escritor desbancava a lengalengagem de nossa literatura contemporânea e que o livro “é para se ler comovidamente da primeira à última página”. De fato, não dá para sair incólume dessa leitura.
SM – Você teve a ideia de escrever Mera fotografia pouco antes de uma viagem a Paris. Como foi escrever esta trama que parte da foto de uma pescaria?
CEM – No final de 1995, depois de publicar meu segundo livro, passei alguns meses sem conseguir produzir nada. E fiquei na dúvida se voltaria a fazê-lo, um vazio que havia tomado conta. Mal sabia eu que esse vazio viria sempre depois que terminasse um livro. Quando decidimos de maneira temerária passar uma temporada em Paris, não tinha ideia do que iria escrever, nem se conseguiria. Ao contrário dos meus outros trabalhos, mesmo posteriores, em que a estrutura já está pensada na primeira linha, eu não tinha nada. Sentei ao computador e o livro foi saindo, unindo ideias e histórias ouvidas aqui e ali. Começa com a busca de um irmão pelo outro, permeada pelo mar. Da foto da pescaria dos meninos, no criado-mudo, escoa areia e se desfaz, no sonho do pai que acorda assustado. A imagem acabou pautando de certa medida o desenrolar da história que ia se formando.
SM – É verdade que depois você reencontrou as anotações que havia feito para o livro e tudo o que estava lá tinha entrado no romance?
CEM – Sim. Anos depois do livro ter sido publicado, em uma das nossas mudanças de casa, encontrei uma velha agenda de 1993 ou 1994, em que estavam escritas não apenas ideias que eu usei no Mera, mas também, para minha surpresa, frases inteiras com pequenas modificações. Eu não havia consultado as anotações. Diga-se que, se raramente fazia anotações porque as perdia, não anotei mais nada. O Mera fotografia também foi um livro escrito de matéria represada.
SM – Você participou de duas residências para escritores. Como essas vivências foram importantes para a sua literatura?
CEM – Acho que o mais importante em residências de escritores é o tempo que se tem para se dedicar apenas ao livro que se está escrevendo. Um tempo em que não se tem contas a pagar, obrigações todas do dia a dia, ansiedades. Pode-se ficar ensimesmado por um tempo. As duas que participei tinham a mesma rotina, durante o dia cada escritor ficava por sua conta, e os escritores se reuniam para jantar juntos, para conversar, comer e beber. Para mim foram muito proveitosas, terminei o Pitanga na primeira, nos EUA, e escrevi parte do Trova na segunda, na Índia.

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