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A Cada 15
SOBRESSALTO de Kenneth Cook - primeiras páginas
SOBRESSALTO de Kenneth Cook - primeiras páginas
Ele permanecia sentado, observando exausto as crianças saírem da sala, pensando que, naquele período escolar ao menos, seria razoável presumir que nenhuma das meninas estivesse grávida.
"Adeus, senhor", disse a última das crianças a sair.
"Adeus, Mason", disse o professor, "Vejo você no próximo período", e a figura pequena, puída, perdeu-se no clarão da porta — a classe agora não era senão uma balbúrdia de vozes animadas flutuando e desaparecendo no calor.
O professor passou os olhos pelo cômodo vazio, que constituía a totalidade da escola, além de algumas precárias instalações sanitárias do lado de fora. Vinte e duas carteiras para vinte e oito alunos, meninos e meninas com idades de cinco a dezessete anos.
Vinte e oito alunos, vinte e sete na escola somente porque a lei insistia que fossem educados até que tivessem ao menos quinze anos, ou porque algum fazendeiro desesperado, arrancando sustento das terras das grandes planícies do interior, pensava que a educação pudesse dar a seu filho um pouco da esperança que ele próprio tinha abandonado.
E o vigésimo oitavo, o jovem Mason — onze anos de idade, sedento por aprender, animado, inteligente e inexplicavelmente sensível, mas fadado a juntar-se às gangues dos trilhos assim que tivesse idade legal para isso, porque o seu pai era de gangue.
O professor levantou-se e mexeu os ombros para soltar a camisa molhada de seu corpo e começou a fechar e trancar as janelas.
Pelo vidro ele podia ver a planície se esticando em direção ao oeste, interrompida somente pelos aglomerados de arbustos endurecidos que conseguiam extrair sustento até mesmo aqui onde a terra estava virgem de qualquer traço de umidade havia meses. De algum modo as pessoas davam um jeito de viver no semideserto, de algum modo elas criavam ovelhas e gado — uma cabeça a cada 10 acres — e mantinham os animais vivos até atingirem peso su' ciente para valerem algumas libras nos mercados costeiros da Austrália, e o professor nunca entendeu como. Algumas pessoas, proprietárias de milhares de milhas quadradas, até faziam fortuna aqui esperando as chuvas ocasionais, e então trazendo os rebanhos para alimentar-se nos tapetes de grama verde que apareciam de um dia para o outro. Mas agora não havia chovido durante quase um ano, o sol tinha murchado todas as coisas vivas exceto a vegetação rasteira. As pessoas tinham murchado, suas peles se contraindo e seus olhos afundando conforme seus rebanhos se tornavam ossos. Mas elas permaneciam em suas casas de madeira porque acreditavam que a chuva ia cair alguma hora.

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