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A Cada 15
ENTRADA - (trecho inicial do TERRA SEM MAPA)
ENTRADA - (trecho inicial do TERRA SEM MAPA)
TRADUÇÃO: ROSELI BARROS CUNHA
 
Não se encontrará registro desta terra em nenhum atlas, por maior e mais minucioso que seja. Poder-se-á encontrar neles tudo, as Ilhas Afortunadas ou as Terras do Grande Tamerlão, mas não esta, muito menor, que se abre em direção ao mar e também recua dentro de vales recatados. E no entanto existe.  
Essa mão vacilante que diferencia o bom cartógrafo não traçou nunca o arbitrário festão de seu contorno, nem desenhou seus rios com tinta azul, suas montanhas de castanho-claro, e o resto verde, verde intenso, homogêneo, para iludir-nos com uma vegetação que na realidade vai até a ferrugem e até o negro.
Mas eu sei que existe e onde. Eu sei o lugar onde seus povoados se escondem no campo, somente revelados pelos lampiões acesos que vão de uma a outra casa de pedra cinza quando a noite avança; sei de seus carvalhos plantados em círculo e do semeadouro minucioso que recobre suas terras; sei de suas alamedas e também do mar que se abre entre montanhas. Posso ver homens e mulheres no trabalho, no amor, no sofrimento ou na festa, e ouvir correr sob o céu, como um vento renovado, a música.
Quando me aproximo desta terra, é a música quem se adianta como sua dona a me saudar. Não posso esquecê-la por uma simples razão: ouvi-a pela primeira vez numa cantiga de ninar. 
 
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