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FOGUEIRAS DE SÃO JOÃO (em TERRA SEM MAPA)
FOGUEIRAS DE SÃO JOÃO (em TERRA SEM MAPA)
Lina perambula, receosa, entre a turba vozeadora que transtornou o povoado. Abrem caminho às carreiras os meninos que transportam lenha para a fogueira acesa em frente à igreja, na pequena esplanada que serve de improvisada praça. Às vezes, timidamente, ela colabora com o grupo de meninas do qual fazem parte também Elvira e Rosalía, mas logo se retrai. Ela está com eles na preparação da festa e ao mesmo tempo não está, assistindo como testemunha curiosa e alarmada: porque nesses meninos a quem conhece bem e pode chamar por seus nomes de batismo desencadeou-se um frenesi que os transforma em outros e desconhecidos.
A tarde move muito lentamente sua roda pelo céu. À medida que ela vai caindo, na aldeia aumenta a algazarra, que contagia os homens e as mulheres. Talvez seja o incipiente frescor da noite próxima que lhes subtrai a sonolência da tarde; sentem-se reviver, quase acreditando que esse crepúsculo, que pende como uma gota iminente no alto do céu, seria o matutino.
Uma fila de mulheres sai em direção ao bosque do vale. Ainda que entre elas Lina tenha visto Socorro, do mesmo modo as segue, porque entende que essa noite foram abolidas todas as proibições. Por acaso não são suas irmãs as que encabeçam a fila? Por acaso não é Emilia quem a encerra, alta e forte como uma árvore, e não é ela quem lhe ordena "Venha comigo e não se afaste de mim"?
Debaixo das árvores, faz mais noite, e o ar se conserva úmido entre as plantas geométricas e calmas. Procuram ervas aromáticas para a fogueira e se perdem entre as sombras.
 
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