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BREVE HISTÓRIA DO DUELO
BREVE HISTÓRIA DO DUELO

A primeira função social da polidez é facilitar e abrandar a vida em comum, evitando os conflitos e se substituindo à violência. Parece, pois, bastante paradoxal que esta possa, em certos casos limite, sancionar ataques ao savoir-vivre. Na realidade, o paradoxo é apenas aparente — pois está fora de questão que a violência pura e simples possa sancionar de maneira adequada infrações aos códigos de decoro. Quando manifestada, a violência parece, com justiça, pelo menos tão inconveniente quanto o comportamento que pretenderia punir. Uma ilustração cômica desta evidência é o pai Fenouillard, criado por um dos pioneiros das tiras em quadrinhos, Christophe, a quem devemos igualmente duas outras grandes figuras do panteão literário das famílias, o sapador Camembert e o cientista Cosseno. Agenor Fenouillard, ex-comerciante de artigos de malha em Saint-Rémi-sur-Deule (região inferior da província de Somme), e arquétipo da estupidez pequeno-burguesa, decide um belo dia partir em uma viagem ao redor do mundo, com a mulher e as duas filhas, Artemísia e Cunegundes. Chegando ao Havre, toda a família sobe num bonde e experimenta, com horror, o famoso descaramento britânico, na pessoa de um súdito de sua graciosa Majestade, que ousa sentar-se exatamente em frente à augusta senhora Fenouillard. "O olhar do senhor Fenouillard se enfurece: 'Senhor', grita ele ao mal-educado, 'eu o intimo a se levantar'." Como o inglês se recusasse, porque ainda não chegara ao destino, Fenouillard, sem mais essa nem aquela, acerta-lhe um golpe de guarda-chuva na cabeça... E recebe um direto no queixo. "Em seguida, os combatentes, expulsos do bonde, continuam a expressar seus respectivos descontentamentos."

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