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A Cada 15
RESTOS
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Difícil foi achá-las todas. Sandra franziu as sobrancelhas quando atendeu à porta, não se tornara uma mulher tão linda quanto a menina que fora. Precisei dizer quem eu era, ainda assim não tenho certeza que me reconheceu. Trocamos algumas palavras, por fim eu disse a que viera. Vim buscar minha auto estima. Tomara-me no dia em que, moleque ainda, Sandra personagem principal de meus sonhos, eu me declarei, esses pedidos de namoro idiotas que acabamos cometendo. Não disse nem sim nem não, mas a vi beijando meu melhor amigo, no mesmo dia. Contrariando minhas expectativas, convidou-me a entrar. Fez que eu a esperasse na sala. Voltou com uma caixa velha, dessas que sobram de presentes de casamento. Achei sem dificuldade, como um pingo de mercúrio encontra outro, e enfiei no saco de lixo preto que carregava em uma das mãos. Cida estava gorda, seus olhos demonstraram sincera alegria ao me ver. Eu tinha o quê, treze anos? Ela devia ter seus 17. Trabalhava na casa de minha avó, agora trabalhava para minha tia mais rica. Seu marido era o motorista, tinham dois filhos que passavam o dia na creche. Primeiro conheci sua nudez, espiando pela janela do banheiro enquanto tomava banho. Um dia percebeu e, em vez de zangar-se, convidou-me para voltar dia seguinte, que minha vó viajaria. Voltei. E voltei muitas vezes ainda. Conversamos um pouco, fazia tempo que eu não aparecia, convidou-me a entrar, podia preparar um lanche para mim, minha tia chegaria só no final da tarde. Vim falar com você mesmo, vim pegar de volta minha inocência. Cida riu, ela tinha uma risada que conquistava a todos. Que inocência?, você nunca teve.

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