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O CAPITÃO MIHÁLIS - prólogo do autor
O CAPITÃO MIHÁLIS - prólogo do autor
Quando comecei, já na velhice, a escrever O Capitão Mihális, meu objetivo secreto era este: preservar, vestindo-a com palavras, a visão do mundo como meus olhos infantis a criaram. E, quando digo visão do mundo, quero dizer visão de Creta. Não sei o que acontecia, naquela época, com as outras crianças, as da Grécia libertada, mas as crianças de Creta respiravam um ar trágico nos tempos heroicos e atormentados do Capitão Mihális, quando os turcos ainda dominavam nossa terra e, simultaneamente, começavam a ser ouvidas as ensanguentadas asas da Liberdade aproximando-se. Nesse momento crítico de transição, cheio de febre e de esperanças, as crianças de Creta depressa viravam homens. As vigilantes preocupações dos adultos à sua volta com a pátria, com a liberdade, com o Deus que protege os cristãos, com o Deus que levanta sua espada para expulsar os turcos, encobriam as alegrias e tristezas habituais de uma criança.
Desde muito cedo, vivendo cada momento como se estivesse prestes a romper uma contenda, suspeitávamos que neste mundo lutam duas grandes forças — o Cristão e o Turco, o Bem e o Mal, a Liberdade e a Tirania — e que a vida não é um brinquedo, é um combate. E mais isto: chegará o dia em que será nosso Dever entrarmos também no combate. Decidimos desde muito pequenos que era nossa sina, uma vez nascidos cretenses, que esse Dever governasse a nossa vida.

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