Seu carrinho de compras está vazio!
A Cada 15
O MUSEU DO PEIXE MORTO
O MUSEU DO PEIXE MORTO
Um andaime?”
“Andaime”, repetiu Rigo, recitando a lição. “Eu pego muito peixe. Eu trago peixe pra casa que nem sei o nome”. Rigo interrompeu-se. Parecia aturdido, lembrando-se do começo, antes que lhe viessem os nomes. “Minha mulher, ela diz o nome ‘geladeira’ não muito bom. Ela só aprendendo. Ela diz que é ‘o museu do peixe morto’ .”
“Gosto disso”, diz Ramage. “O museu do peixe morto.”
“Não comemos tudo que pego.”
 “Fico surpreso que vocês tenham comido alguma coisa.”
A porta do bar se abriu, e a estrela loira tomou posse de um banco, perto da caixa registradora. Seu drinque veio num cálice onde o bartender fincou um para-sol de papel desbotado, reclinado sobre a borda do vidro coberta de granizo. Era um enfeite de verão, mas não conseguia acrescentar muita alegria ao bar escuro e semivazio.
“Em El Salvador”, disse Rigo, “você vai à praia com as crianças, no domingo, e fica lá o dia inteiro. A areia é limpa e branca, e vem um cara com las ostras pra você. Limón, tabasco, pimenta, você vai comendo sem sentir”.
“Posso até sentir o gosto”, disse Ramage.
“Certamente”, confirmou Rigo. “Aqui, a praia é lixo. Tudo vai dar lá. Agora de noite, acho uma porta de casa. Uma porta da casa de um homem, Ramage.”
Rigo levantava as mãos acima do bar, olhando o espaço vazio que elas criavam. Parecia estar imaginando a coisa que suas palavras tinham acabado de descrever, tentando cercar aquela alucinação, mas suas mãos estavam tensas, de tão frustradas. Não conseguia reter a coisa, e a imagem que se formara em sua mente flutuou para longe. Rigo agarrou sua cerveja e terminou-a. Pediu outra.
 

BAIXAR PDF

 

Grua Livros © 2017