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A Cada 15
MULHER NUA, ÁRVORE FRONDOSA, de Fernando Burjato
MULHER NUA, ÁRVORE FRONDOSA, de Fernando Burjato

Tenho um primo cego, e cego desde criança. Sua deficiência e sua falta de dinheiro sempre me causaram embaraço. Por isso fiquei surpreso quando ele me procurou para visitar uma exposição de pinturas francesas.

Eu o encontrei diante da imensa fachada modernista do museu, sua bengala fazendo cócegas na parede da bilheteria, o sorriso congelado na boca (por que os deficientes visuais são sempre assim?), talvez crente que a entrada fosse gratuita. Comprei em silêncio os dois ingressos e, depois de uma pequena fila, distribuímos boas-tardes aos rapazes da segurança, ao ascensorista, aos funcionários da loja, e assim ritualizamos nossa entrada, adiando ao máximo a exposição.

Ao surgir o primeiro quadro, meu primo, sem largar o sorriso, disse baixinho:

— Descreva para mim.

Hesitei muito pouco. Antes de qualquer análise, falei das características mais óbvias, das minúcias: o tamanho da tela, as cores, a consistência da tinta, o assunto, a figura central, a luz, o fundo, a moldura, até que nada mais pudesse ser comentado. Ao menos foi o que pensei naquele instante.

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