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A Cada 15
PRIMEIRO DO ANO  - de Adauto Leva, primeiras páginas
PRIMEIRO DO ANO - de Adauto Leva, primeiras páginas
Primeiro do ano é um dia estranho. Ou eu acordo de ressaca ou eu acordo bravo por não ter enchido a cara em alguma festona de réveillon. Hoje acordei bravo. E cedo. Resolvi dar logo um jeito na vida: fui até a esquina comprar pão fresco e jornal do dia, passei um café forte mesmo não estando de ressaca e comi e li o jornal e fiquei de saco cheio por ter acordado tão cedo. Procurando alguma coisa pra fazer o tempo passar, me enfiei a organizar as coisas que andavam um pouco bagunçadas no meu quarto-escritório — já que não tomei um porre ontem, que essa merda de ano comece de cara limpa. Comecei alterando a ordem dos discos, tirei da seqüência alfabética e coloquei em ordem de estilos musicais. Não guardo livros em casa, então apelei pras gavetas da minha mesa e depois avancei pelas pastas da estante. Algumas acumulavam muita poeira em cima; poeira pegajosa, preta, feia. Na última delas, na que estava debaixo de uma pilha de pastas plásticas, reencontrei os originais de um livro de contos que eu havia inscrito em um concurso promovido pela faculdade, há dez anos. Dez anos! Quando a gente tem trinta, é duro se dar conta de coisas que aconteceram há uma década, duas décadas. É o começo do fim, mesmo. 

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