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A ALMA DO MUNDO  - de Felipe Polleri, primeiras páginas
A ALMA DO MUNDO - de Felipe Polleri, primeiras páginas
Paciente — Devo falar?
Doutora — O senhor quer falar?
Paciente — Gostaria de falar das árvores. Numa época, eu adorava ao Deus Árvore. Ele se encontra... em certa floresta. Eu era feliz adorando ele. Mas cortaram-no.
Doutora — Quem?
Paciente — Todos. Odeiam as árvores, e cortam elas. Ou, pior ainda, as deixam vazias. A senhora já andou pela cidade?
Doutora — Quando vinha para cá. 
Paciente — Ouviu as árvores? Estão caladas. Já não há nenhum pássaro nas árvores desta cidade. Foram para o céu. Deus terá que pôr espantalhos nas nuvens para que elas voltem. E fazer o milagre dos milagres para que cantem. Já ninguém tem vontade de cantar nesta floresta destroçada.
Doutora — Na cidade? A cidade é uma floresta destroçada?
Paciente — Eu gostava da floresta. Não tinha nenhuma pessoa. Nada humano com que se comparar. A floresta virgem... Às vezes, não sabia se tinha me convertido num anão ou num gigante. Caminhava devagar: poderia ter uma cidade debaixo de uma folha seca.
Doutora — Prefere as árvores às pessoas?
Paciente — Andava sempre nu. Pintava a máscara de amarelo e os pés de azul e as mãos de vermelho. A gente vivia para o Deus Árvore. Tudo era simples e verdadeiro, como o fogo. Não gosto de ver o fogo prisioneiro numa caixa de metal. Parece que tudo tem que ser sempre colocado em caixas.

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